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terça-feira, 29 de novembro de 2011

REFLEXÃO SOBRE A CHINA

Nesses últimos tempos em que o papel da China tem crescido vigorosamente no cenário mundial e causado um certo alarmismo, principalmente entre os analístas brasileiros, em razão do fortalecimento da China como principal parceiro econômico do Brasil. Assim, parece-me mais que oportuna uma reflexão sobre a República Popular da China, para tanto contarei com a preciosa contribuição do Prof.Carlos Lessa, que desta feita fará gentilmente o contraponto com seu valoroso artigo "Barbas de Molho," publicado no Valor Econômico no dia 21/11/2011.

Para iniciar essa reflexão eu gostaria de oferecer uma visão da China, infelizmente, apesar de todo interesse que a China possa oferecer ao Brasil, não foi possível encontrar material informativo em português, o que me leva a pedir desculpas aos meus leitores brasileiros não familiarizados com línguas estrangeiras, por esse motivo escolhi dois videos do YouTube, que mesmo assim atenderão ao meu propósito.







Minha reflexão se inícia com as minhas recordações de longas tardes passadas na Embaixada da República Popular da China em Brasília, tomando chá e trocando idéias com o adido militar Coronel Liu Quncang, casado com a calorosa Shiuxia, cujo nome por se pronuncia "Xuxa,"tal como o nome da nossa famosa apresentadora de televisão, o que agariava a simpatia de quem a conhecia. Conheci o Coronel Liu Quncang ainda recem-chegado ao Brasil, e ele tinha uma dificuldade de fazer-se entender no nosso meio militar. Nós nos conheceramos no Estado Maior das Forças Armadas, numa fila de cumprimentos, e logo estávamos conversando devido ao meu dom "da língua," já comentado anteriormente aqui no Free Thinker, o qual nos permitiu estabelecer uma comunicação mesmo que rudimentar e com uma miscelânia linguística. Meus amigos admiraram-se por eu conversar tanto com o Coronel Liu Quncang, pois ninguém conseguia conversar com ele, e, logo, eu fui destacada para dar-lhe uma atenção cordial brasileira. Conclusão, a atenção acabou virando uma grande amizade, e tempos depois juntar-se-ia às nossas tardes de chá o assistente dele, o Major Wang Liping, o qual falava bem espanhol e inglês, o que tornou nossas conversas muito mais animadas, principalmente em razão do seu profundo conhecimento filosófico. Em nenhum momento ocorreu alguma tentativa de "doutrinação comunista," longe disso, a preocupação central de nossas conversas era como fazer a abertura da China para o Capitalismo Ocidental, sem que isso fosse causa de convulsões sociais e políticas, o que há de se convir era um dasafio e tanto. Assim, eu fui introduzida aos vários aspectos problemáticos do contexto chinês para poder fundamentar minhas análises, foi um tempo em que tive a oportunidade de  aprender muito sobre as peculiaridades do povo chinês.

Hidrelétrica de Três Gargantas
Naquela época, entre os anos de 1993 e 1995, as relações do Brasil com a China haviam se estreitado devido a participação de empreiteiras brasileiras na construção da Usina Hedrelétrica das Três Gargantas,  cujas obras tinham se iniciado em 03 de abril de 1992. A presença brasileira nessa obra gigantesca de engenhariadava-se em razão da vasta experiência do Brasil com a construção de grandes usinas, tais como Itaipu e Tucuruí. Portanto, essa parceria entre a China e o Brasil estava destinada a ser longa, e em 2009 quando as 26 turbinas na hidrelétrica do rio Yang-tsé entraram em funcionamento, tornando-se a maior hidrelétrica do mundo em energia gerada, a participação do Brasil para esse feito chinês foi inegavelmente fundamental.


Em 5 de outubro de 1993, o meu artigo "A ESCALADA CHINESA," foi publicado no Jornal de Brasília, e é impressionante constatar que a análise que fiz há tantos anos ainda continua atual e explica a ascenssão da China a uma posição cada vez mais influente na econômia global. O que me leva a transcrever o texto do artigo, a seguir:

"Em 1o. de outubro de 1945, Mao Tse-tung proclamou a República Popular da China. Quarenta e cinco anos se passaram desde então e a China ainda guarda o mesmo mistério e fascínio que encantaram o jovem veneziano Marco Polo no sec. XIII da nossa era, quando visitou a corte de Kublai Cã, irmão do mongol siberiano Gengis Cã, que ocupara Pequim em 1.215 d.C. erguendo o maior império territorial de todos os tempos, do oceano Pacífico ao oceano Atlântico, isolando a Europa do resto do mundo civilizado. O conhecimento trazido do coração da Ásia transformou a dita civilização ocidental e permitiu que ela seja hoje gloriosa.

Cobiçada pelos conquistadores do Ocidente, a China foi alvo da mais cruel estratégia de conquista, a guerra do ópio, quc desacreditou a dinastia Mandchu, que dominava o país e o havia fechado à influência ocidental desde 1644. A quebra do poder central abriu um período de anarquia iniciado em 1911, preludiando o desmembramento da China pelos ocidentais, contudo a ação eficaz de Mao Tse-tung manteve a China unida e afastou-a da destruição.

Como no passado o comunismo chinês permitiu "mudar para as coisas continuarem as mcsmas", a China fechou-se sobre si mesma, em defesa introvertida reabilitando seu curioso mundo até 1975, quando com a morte de Mao (9/9) ela comcçou a acordar para o mundo exterior através da liderança de Deng Xiaoping.

O bom desempenho econômico do país de 1980 a 1989 reforçou politicamente a estratégia reformista elaborada pelo novo líder, entretanto a China não passou incólume ao colapso do comunismo soviético. No 1o. de outubro de 1991 o chanceler Quian Quichen com orgulho disse em seu discurso: "A China é uma ilha de paz num mundo caótico (...) Países ocidentais, que assistiram à desintegração soviética acham que nosso país será o próximo mas ele resistirá". Sim, sem dúvida resistiu. Não porque o pensamento marxista ali deu cerlo, mas porque os chineses tiraram dele o que havia de bom e adaptaram-no às necessidadcs deles de acordo com os conceitos arraigados do taoismo e do confuncionismo.

Hoje o "capitalismo vermelho" chama a atenção dos analistas políticos, as ilhas de prosperidade das cidades da "costa dourada" da China são um sucesso. Como 3a. economia do mundo a China assusta seus competidores, não só, pelo excepcional desempenho, mas pela eficiência que permitiu uma rápida escalada.

O resgate cultural passado que vem sendo articulado pelo presidente Jiang Zemin é o maior reflexo do pensamento chinês da atualidade; sempre pronto a mudar com inteligência para manter a integridade e a soberania da nação. Saber mudar com inquestionável paciência e perseverança é a resposta da transformação chinesa, e aí reside, sim, a surpreendente força daste povo, que poderá outra vez rcdirecionar com brilhantismo o dcstino da humanidade e mais uma vez todos sairão ganhando com isso. Nada há a temer da China, mas muito para aprender."

Condições de Solo da China
Durante praticamente três anos de reuniões semanais, que deram-me preciosos conhecimentos sobre a China e principalmente seus problemas, foi possível dar uma pequena contribuição com minhas análises para minimizar os conflitantes problemas sociais com a introdução da abertura para uma economia capitalista. O tamanho do problema podia ser imaginado quando naqueles dias se falava de  uma população de 1.20 bilhão de pessoas, mas que hoje é de mais de  1.34 bilhão de pessoas (2010), de acordo com o censo publicado em abrilde 2011. A China tem duas vezes mais que a populações da União Européia e dos EUA combinadas. 

Condições de Relevo da China
A maioria da população da China vive nas terras ferteis e humidas do leste, em torno de um terço da população chinesa  vive ao longo da costa chinesa, a chamada "Costa Dourada." Os centros mais populosos encontram-se na Planice Norte da China e na Península de Shandong (uma área menor que o Texas com uma população maior que os EUA); a bacia de Sichuan (com uma população de 100 milhões de habitantes) e a área do Rio Yang-tsé (com 150 milhões de habitantes). Os desertos e as áreas montanhosas ao oeste abrangem metade do território da China, mas apenas 6% da população chinesa vive nesses locais. 

Distribuição Demográfica da China 2008
Há um contraste muito grande entre a população que vive na chamada Costa Dourada, que desde 1975 avança a passos largos para a modernidade e a população que vive nas terra férteis ou no interior da China. Na medida em que a Costa Dourada passara a ter um progresso acentuado com a implantação do "capitalismo chinês," tornou-se cada vez mais difícil naquele início da década de 1990 conter a onda migratória da juventude chinesa para os grandes centros de desenvolvimento. Era um desafio a ser vencido manter a população campesina no trabalho agrícola e oferecer-lhe vantagens para que se mantivessem no campo. A migração dos jovens não pode ser inteiramente evitada, mas veio a ocorrer de maneira lenta e gradual de forma que os grandes centros urbanos se capacitassem ao aumento populacional.

Eu estive em Hong-Kong em janeiro de 1999 e pude constatar de perto todos os problemas que eu tivera conhecimento em 1993-95, isto porque a Ilha de Hong-Kong é um centro de capitalismo ocidental implantado pelos britânicos, mas na chamada Terras Continentais o assunto é amplamente diferente, lá é a face verdadeira da China, do povo chinês comum com sua cultura milenar arraigada em seus modos e maneiras. É chocante o contraste e um real problema. Então, eu pude compreender por qual motivo o chinêses gostaram tanto das minhas análises de abertura, porquanto entendia o problema deles semelhante ao problema do Brasil e o seu legado do "Tratado das Tordesilhas," ainda em vigor e que se luta ainda hoje para vencer, assomado com os nosso problemas do "processo de abertura democrática" da década de 80 e com o processo de "abertura econômica" em implantação naquela deécada de 1990, considerando principalmente  que certos problemas vivenciados pelo Brasil poderiam vir a ser evitados pela China.
  
Na minha visão, não são os chinêses que estão errados, mas sim os empresários capitalistas ocidentais, que em sua ganância por lucros sempre mais altos acharam-se muito espertos explorarando a mão de obra barata e quase escrava chinesa, a partir do final da década de 1980, o que se pode considerar uma vergonha em termos de ética e moralidade. Os industriais ocidentais, não pensaram nem por um instante que estariam prejudicando seus próprios países ao transferirem seus parques industriais para a China, calculavam apenas em cifrões o lucro com custos de mão de obra barata e com baixos impostos, produzindo produtos bem mais baratos e os vendendo por preços bem mais altos. Mas, não sabiam com quem estavam lidando, não entendiam nada desse espírito oriental chinês, que é capaz de sacrifícios imensos em prol da China. Vejam só como os ocidentais lá do Norte estão berrando por serem obrigados a algum sacrifício por seus países nesse momento de crise econômica, mas isso não aconteceria na China.

Não são só os chinêses que estão entupindo o mercado com seus produtos, mas também os empresários ocidentais que transferiram suas indústrias e negócios para a China e estão obtendo lucros extraordinários. Pode-se tomar por exemplo, o "mercado de luxo," as grandes "marcas" famosas possuem seus produtos fabricados na China. De modo que fazer campanha para não se comprar produtos chineses é uma falácia quando se fala de "grifes de luxo," pois não é possível convencer  os consumidores do "mercado do luxo" a não comprar suas "grifes" prediletas de ostentação de riqueza, esses consumidores de luxo não fariam isso nem mortos, mesmo sabendo que estão comprando uma porcaria de produto, precisam de uma etiquetazinha dizendo que são gente. E é nesse mercado do luxo que os chineses também estão se solidificando, porquanto estão comprando praticamente todas as marcas de status.  Além de vender para quem pode pagar preços exorbitantes por algo de valor questionável, esses mesmos empresários, sejam eles chineses ou ocidentais, estão por trás dos chamados "produtos piratas," as malfadadas cópias chinesas, que atendem os consumidores de baixa renda de todo o mundo, os quais também desejariam consumir produtos de "grife," mas não podem. No comércio se diz que pode-se ganhar dinheiro de duas maneiras: vendendo pouco a um preço muito alto ou vendendo-se muito a um preço muito baixo, no caso a China está explorando amplamente os dois veios de lucratividade. Portando, a China, muito mais esperta do que todos está explorando a "cultura consumista" que instalou-se na sociedade capitalista como uma "droga" que embota o raciocínio das pessoas.

Pois bem, mas a China possui o seu calcanhar de Aquiles, seus produtos não primam pela qualidade, são descartáveis, de modismo e de pouca durabilidade. Vendo isso a Coréia do Sul está investindo em produtos de qualidade, e sairam na frente para criarem produtos 3B: bons, bonitos e baratos. Os preços dos produtos de moda da Coréia do Sul são justos e competitivos, mesmo que não tenham nenhuma etiquetazinha de status de luxo. O Brasil devia fazer o mesmo, e investir na "qualidade" de seus produtos, assim como na modernização de suas fábricas, muitas sem receber investimentos há décadas, em razão da ganância de seus donos e acionistas. Todavia, os comerciantes brasileiros querem virar milionários do dia para noite, mesmo que seja comprando produto chinês a preço de banana para revender com alta lucratividade, mesmo que com isso estejam desprezando a produção nacional e prejudicando a economia brasileira da qual dependem. Industriais, empresários e comerciantes brasileiros deviam olhar para a União Européia e os Estados Unidos para verem o que está acontecendo a estes países em que os investimentos em solo nacional foi preterido a favor da internacionalização do sistema produtivo para aumentarem a margem de lucratividade, hoje eles estão com suas economias inteiramente dependente de países como a China, num tipico caso em que o feitiço virou contra o feiticeiro. O problema não é a China, o problema é nosso. Nós que deixamos de investir na produção de qualidade nacional e abrimos um nicho para a China fazer o seu negócio. 

No Brasil é comum o incompetente ocupar o espaço e não sair de cima, enquanto o competente não é valorizado, enquanto a China logo se aproveita da incompetência alheia e valoriza a própria competência. Nós é que temos que aprender com eles, e sermos os melhores naquilo que fazemos melhor que os outros. Nós temos que deixar de ser "macaquinhos de imitação" de quem não merece ser imitado. O brasileiro é criativo, cheio das idéias, sabe melhor do que ninguém fazer uma jarra de limonada com um limão, sopa de pedras é com ele mesmo, quando ninguém falava em "etano" os carros brasileiros já eram movidos à ele há décadas, o "bina" (sistema de detecção de chamada telefônica) foi criado por um brasileiro (que morreu sem ganhar um centavo por isso) e agora o identificador de chamadas é usado no mundo inteiro, isso só para citar alguns exemplos. Então, o brasileiro deveria deixar de olhar o gramado do vizinho que sempre parece mais verde e tratar de investir no Brasil, deveria fazer mais "propaganda" do produto nacional e parar de torcer o nariz para a marca "Brasil."

Quanto à China, ela só será uma ameaça se nós brasileiros permitirmos. Se nós formos tão pragmáticos quanto os chineses o são, se aprendermos a lidar, a trabalhar e a negociar com eles, a parceria poderá ser muito profícua e benéfica para ambos os lados, mas se em vez disso acharmos que podemos ser mais espertos do que eles e desprezarmos a sabedoria oriental milenar que eles possuem, podem ficar certos que nos daremos tão mal quanto os europeus e norte-americanos. Para tanto, será de grande contribuição que todos os setores da sociedade produtiva brasileira que se passe a ter um nível de informação sobre a China muitíssimo mais alta do que aquela que está disponível hoje por aí. Deve-se lembrar que o primeiro passo para uma boa competição é conhecer muitíssimo bem o concorrente, no caso de uma parceria então essa exigência deve ser muito maior. Infelizmente, no momento a China está muito mais bem informada sobre o Brasil do que o Brasil sobre a China, ou seja, o Brasil está em desvantagem, portanto é imprecindível que esta situação seja revertida, de modo que o Brasil e a China possam se sentar na mesa de negociação em pé de igualdade para tratarem de seus interesses em comum e ambos países sairem satisfeitos e poderem progredir juntos com bases justas e sem explorações indevídas de  nenhum dos lados, numa soma de forças que poderá ter benefícios da amplitude mundial para todos.







                                    VALORECONÔMICO






BARBAS DE MOLHO


Carlos Lessa






Sou de uma geração treinada em ler nas entrelinhas. Vivi as longas décadas de regimes ditatoriais latino-americanos e aprendi a pesquisar as intenções nos discursos oficiais. O dr. Ulysses Guimarães me ensinou que se deve prestar atenção aos silêncios nos discursos.
Percebo uma crescente preocupação da presidente Dilma com a China e suas pretensões geopolíticas e geoeconômicas. Na reunião do G-20, a presidente declarou sua preocupação com a ausência de compras chinesas de produtos industriais brasileiros (leia-se, nas entrelinhas, que o Brasil é exportador de alimentos e matérias-primas sem processamento: soja em grão, minério de ferro bruto, couro de vaca sem curtição etc). Em passado relativamente recente, exportamos geradores para a grande usina do Rio Amarelo; agora, estamos importando geradores da China. Vendemos aviões da Embraer. Bobamente, aceitamos instalar uma filial na China; os chineses clonaram a fábrica da Embraer e, hoje, competem com o avião brasileiro no mercado mundial. Esta semana, a presidência declarou sua preocupação com a tendência chinesa à aquisição de grandes glebas agrícolas no Brasil. A percepção presidencial não resolve o problema das relações Brasil-China, porém já é meio caminho andado que o poder executivo nacional tenha aquelas dimensões presentes.
O enigma chinês é fácil decifrar. O Brasil cresceu, de 1930 a 1980, 7% ao ano. Depois dessas décadas, mergulhamos na mediocridade e patinamos com uma taxa média ridícula de 2,5%. A China, nas últimas décadas, vem crescendo anualmente entre 9% e 10%. Entretanto, está em situação potencialmente pior que o Brasil. Hoje, mais de 80% da população brasileira está em áreas urbanas e 50% em metropolitanas e nem chegamos aos 200 milhões de habitantes. A China tem uma população de 1,34 bilhão, sendo que menos de 50% estão na área urbana. Como a renda média do chinês rural é um terço da do chinês urbano, é inexorável uma transferência equivalente a duas vezes a população brasileira para as cidades chinesas, nos próximos 20 anos. É fácil entender o sonho de urbanização do chinês rural. A periferia urbana das cidades chinesas já está "favelizada".
Estratégia da China combina aspectos da Inglaterra vitoriana com primazia do Japão científico-tecnológico
Sabemos que o Brasil tem uma péssima distribuição de renda e riqueza. Houve uma melhoria da participação dos salários na renda nacional, que evoluiu, desde 2000, de 34% para 39%. A elevação do poder de compra dos salários foi importante, entretanto o leque salarial se tornou mais desigual e houve pouca geração de empregos de boa qualidade. O salário médio brasileiro é muito baixo, entretanto é, por mês, igual ao limite de pobreza chinês ao ano (cerca de €150), isto é, o brasileiro pobre ganha 12 vezes mais que o chinês pobre. Nosso governo fala de uma "nova classe média" e esconde que o lucro real dos grandes bancos brasileiros cresceu 11% por ano no período FHC e 14% durante os dois mandatos do presidente Lula. Enquanto os colossais bancos chineses têm uma rentabilidade patrimonial inferior a 10%, os bancos brasileiros chegam a 20%.
É impensável o futuro demográfico chinês. No passado, cada família só podia ter um filho; agora, essa regra está sendo relaxada. A urbanização e a industrialização chinesas já comprometeram o lençol freático da China do Norte. Com restrições de água, e necessitando transferi-la cada vez mais para a sede da indústria e população urbana, a China não produzirá alimentos suficientes. Se o consumo interno da China crescer cada vez mais, haverá falta não só de água, mas também de energia fóssil e hidráulica, além de, obviamente, todo um elenco de matérias-primas.
O planejamento estratégico de longo prazo da China é para valer. O projeto geopolítico e a geoeconômico chinês está transformando a África e parte da Ásia do sudeste em fronteira fornecedora de alimentos e matérias-primas. Em busca de autossuficiência de minério de ferro, a China já está desenvolvendo as enormes reservas do Gabão. A petroleira chinesa já está nas reservas de petróleo de gás do coração da África e a ocupação econômica de Angola é prioridade diplomática e financeira da China. O extremo sul da América Latina é objeto de desejo expansionista chinês, que se propôs a fazer e operar uma nova ferrovia ligando Buenos Aires a Valparaíso, perfurando um túnel mais baixo na Cordilheira dos Andes. O Chile - com pretensão de se converter na "Singapura" do Pacífico Sul - e os interesses agro-exportadores argentinos adoram a ideia. Carne, soja, trigo, madeira, pescado e cobre estarão na periferia da China do futuro. A presidência argentina é relutante em relação a esse projeto, porém o Mercosul está sob o risco de se converter, dinamicamente, em pura retórica.
O Império do Meio, unificado pela dinastia Han (ainda antes de Cristo), atravessou séculos com Estado centralizado e burocracia profissional estruturada. No século XIX, a China balançou pela penetração da Inglaterra vitoriana; enfrentou a perfídia mercantil do ópio controlado pela Índia britânica. Sua república, no século XX, foi ameaçada pela expansão japonesa, e somente após a Segunda Guerra Mundial conseguiu, com o Partido Comunista Chinês (PCC) restaurar a centralidade.
Com um pragmatismo secularmente desenvolvido, a China combinou o Estado hipercontrolador com a "economia de mercado". "Casou" com os EUA e criou um G-2, aonde mais de 3 mil filiais americanas produzem na China e exportam para o mundo (70% das exportações de produtos industriais são de filiais americanas). O superávit comercial chinês é predominantemente aplicado em títulos do Tesouro. Esse é um sólido matrimônio, em que os cônjuges podem até brigar, mas não renegam a aliança mutuamente conveniente. Enquanto isso, a China repete a proposta da Inglaterra vitoriana para a periferia mundial: fonte de matérias-primas e alimentos, a periferia mundial é, progressivamente, endividada com os bancos chineses e seu espaço econômico é ocupado por filiais da China. A Revolução Meiji, que modernizou e industrializou o Japão, está em plena marcha na China, que procura ser a campeã mundial em ciência e tecnologia. A estratégia da China combina as chaves do sucesso da Inglaterra vitoriana com a prioridade científico-tecnológica japonesa.
Que a China faça o que quiser, porém o Brasil não deve se converter na "bola da vez" da periferia chinesa. País tropical, com enormes reservas de terra agriculturável, água e fontes de energia fóssil e hidrelétrica, imagine-se a prioridade estratégica para o planejamento chinês em sua marcha pela periferia.
O discurso da globalização, a fantasia da "integração competitiva", a ilusão de ser "celeiro do mundo" com brasileiros ainda famintos, e a atrofia da soberania nacional podem vir a ser um discurso de absorção da proposta neocolonizadora da China.
Leio, nas palavras da presidente, uma percepção do risco do "conto do vigário" chinês. Temo os vendilhões da pátria, entregando energia e alimentos para o neo-sonho imperial.
Carlos Lessa é professor emérito de economia brasileira e ex-reitor da UFRJ. Foi presidente do BNDES. E-mail: carlos-lessa@oi.com.br.


SAIBA MAIS...



How Dickson Poon Made Fashion Pay
Asia News/2004
Bringing business savvy to an industry known for excess
By Susan Berfield and Alexandra A. Seno


DICKSON POON IS NO slave to fashion. This is unusual for someone who makes millions selling style to the well-heeled in emporiums like Harvey Nichols, his oh-so-posh London store where Princess Diana prowls the racks of Dries Van Noten and Vivienne Westwood. This is odd for a guy who owns branches of Seibu, the trendy Japanese department store for wealthy Chinese, not to mention someone who hopes to buy Barneys, ground zero for America's avant-garde. Poon, the 40-year-old head of Dickson Concepts, sells a roster of luxury brands such as Hermés, Bulgari and Escada. (List of Poon's companies) His $979-million company trades on the notion that wearing a pair of Ralph Lauren pants does not just make you look good -- it makes you feel good. Poon's business is about image and imagination. And yet, you wouldn't know it from talking to him. Nor, for that matter, by visiting his office.
Company headquarters occupy two floors (one in the basement) in a building that few taxi drivers know. It's not in the main business district; it's not even on that side of Hong Kong's famous harbor. The office itself is decidedly unglamorous: the ceilings are low, the lights fluorescent, the hallway cluttered with boxes. Poon recently lured Escada from Hong Kong's Lane Crawford, which had (very profitably) represented the label for nearly a decade. Some might have adorned the office walls with photos of Escada-clad women. Or handsome men flaunting gold-trimmed lighters from S.T. Dupont, a subsidiary that Dickson Concepts successfully listed on the Paris bourse in December. Not Mr. Poon. His walls are bare.
Let the Pressman brothers bicker over office space in the Barneys Manhattan headquarters and burn enough money to create a store of immense style but scant profit. Poon prides himself on discipline in a business that often expects extravagance. His stores are refined, but he wouldn't insist on 17 types of wood (as Gene Pressman did for Barneys' Madison Avenue emporium). Poon doesn't have a corner suite or a view. On the sunny Friday afternoon that we visit, his blinds are closed. The furniture is basic, though his fish tank is well appointed. When we politely ask about his art collection, he brushes off the question. Later we discover the paintings are the work of his daughter, now 14.
Poon is renowned for being cagey about his personal life and careful with company finances. He has brought a pragmatic, almost technical, approach to a notoriously impractical industry. Poon snaps up businesses -- at bargain basement prices -- that are losing money but not status. He and his executive team make them over and, so far, make them profitable. It is financial re-engineering with style. "Usually entrepreneurs go wild," says Marc Faber, an investment consultant who has known Poon for a decade. "Dickson doesn't buy things just for the prestige. It always has to make sense." If he buys Barneys, though, the cachet would be considerable: Poon would expand his empire to the last frontier, America. That would make him Asia's first global retailer (well, the first Asian west of Japan). But bankrupt Barneys is unwieldy; America's status shoppers are fickle. Barneys could secure Poon's fortune, or unhinge it.
Poon is a quiet talker, but he is an aggressive retailer and a tough negotiator. He knows how to value a label, but he has no interest in defining style. If you want an interpretation of the buying impulses of our time, best ask someone else. Poon is more comfortable discussing the company creed than snob appeal. "We have one responsibility and one responsibility alone," he says. To push Asians to the cutting edge of fashion? No, "to Dickson and its shareholders."
If Poon weren't wearing a cream-colored turtleneck he could be just another shrewd businessman with an eye for the bottom line and a thing for karaoke. But he is wearing a turtleneck, with corduroy pants and a tweed jacket, an alligator-skin belt and brown loafers. It's not an outfit most Hong Kong executives would wear to work. Even on Fridays. And there lies a clue to the surprising contrast between the man and his company. Poon is fit, fresh-faced and wears his clothes well. He maintains stylish homes in Hong Kong, London and Los Angeles. He owns a white Bentley. He sends out engraved invitations to the most intimate dinner parties. This is the stuff of which lifestyle ads are made. In short, Poon could fashion Dickson Concepts in his own image. He could be a tastemaker. But he is not -- by his own admission. "It is not a question of my taste. It is the market," he says. "It is the taste of the consumers that is important. My taste is unimportant."
If you think this takes away from the company's allure, you're right. "Dickson doesn't set the tone for what people are wearing," says a close observer of the retail industry. "He hasn't done anything significant for fashion in Asia yet." But if you think this takes away from his success, think again.

Poon started out in 1980 with one watch store. Today Dickson Concepts operates more than 240 boutiques and outlets throughout Southeast Asia and in China. He markets merchandise from Ralph Lauren, the best-selling designer in the world, and has secured the rights to more than 100 other brands. Since the company went public in 1986, turnover has grown 1,500%. Dickson Concepts' share price has nearly tripled since July 1995, from HK$10 to nearly HK$30 last week. Profits have climbed 19% since 1995 to $51 million on sales of $509.7 million. Poon stopped taking a salary in 1995. His official $1,288 annual director's fee can't even buy him a suit from Ralph Lauren's Purple Label collection. But Poon owns the majority of the company's shares, and last year earned nearly $15 million in dividends alone. He is worth more than half a billion dollars. You don't have to be a trendsetter to be successful in retailing. But unless you are, you'll never be considered more than an operator in a world full of supposed visionaries. And that seems just fine with Poon.
"Dickson is a very good businessman. I admire what he does," says Joyce Ma, the elegant founder of the ultra-chic Joyce emporiums in Hong Kong, Taipei and Bangkok. "But Joyce is a business of the heart. It is not just about making money, money, money." Joyce is about catwalk fashion; she is unlikely to sell a well-worn brand like the all-American Perry Ellis. She and Dickson are the two faces of Hong Kong fashion. They are not really competitors, but everyone compares them anyway. "I take more risks," Joyce tells us at the opening of an Emporio Armani boutique. "Joyce has been the first to bring in new designers over the past 25 years. The brands are a Joyce choice, a reflection of how Joyce lives."
Poon prefers not to respond to others' comments about his business. But he probably wouldn't be hurt by Ma's. Joyce reported an operating loss of $1.5 million for the first half of 1996. "I know which one I'd like to invite for a dinner party, but I also know which one I'd like to invest with," says an analyst at a European brokerage. "It is very easy to get carried away in retailing. With Dickson it is only business." With Poon it is all business. Corporate excess is frowned upon (though he reportedly hired topless dancers for the company's tenth anniversary bash). "None of us is encouraged to entertain in the Hong Kong nightclub style," says Raymond Lee, Dickson Concept's chief financial officer. There are no corporate accounts; employee discounts range from 20% to 30%, below the industry standard. Guests at Dickson Concepts' boutique openings usually leave empty-handed; most other companies offer small gifts. Poon even uses his own executives in some advertisements. "We are parsimonious," says Lee. "It makes people trust us."
Poon takes himself seriously, and he likes everyone to do the same. He is a demanding boss. "We have to be very quick-minded," says his legal adviser Kevin Ching. "He can make you feel stupid." His top executives, Ching and Lee, have buzzers on their desks linked to one on Poon's desk. Ching says that during his first days in the office he used his to call Poon. "Dickson sounded a bit startled. At the end of the week, a colleague said 'you don't buzz him, he buzzes you.' Dickson was too polite to tell me to stop." Poon's public relations manager prefers not to carry a mobile phone and to maintain her office four floors below his.
And then there is the story of how Poon fell out with a head hunter in Hong Kong. Apparently the company placed a high-level Chinese executive at Dickson Concepts. During the first week, so the tale goes, Poon yelled at him in front of others, and the new recruit walked off the job. The head hunter apparently will no longer work with Dickson Concepts, but declined to discuss, or confirm, the incident saying, "It's too sensitive to talk about." No other associations seem to have ended so badly, and, in fact, many of Poon's senior staff have been with him for years.

Poon's ambition is a family trait. His grandfather was a rice farmer in China, his father moved to Hong Kong and reaped a bountiful profit from watches. Poon's mother was ahead of her time: she established her own stockbroking firm in the territory. She, perhaps alone among the trophy wives and well-tailored ladies at Dickson Concepts' boutique openings, describes herself as a retired businesswoman. Poon's father had a tracheotomy a few years back and doesn't often leave home. According to his mother, Poon makes the effort to eat with them a few times a week. Apparently he is not one for business lunches. Poon says his parents are his "mentors." He is the sole contributor ($400,000 a year for 10 years, beginning in 1990) to Hong Kong University's management institute and named it after his father, Poon Kam Kai. But Poon is quick to remind us that Dickson Concepts is not a family-run operation. "Dickson is one of the few sons of rich families who has gone his own way and been very successful," says Faber.
Even as a teenager, Poon set himself apart. He wore white silk shirts, flared pants and long hair at St. Joseph's College, then Hong Kong's most prestigious high school. It was 1971, but everybody else made do with cotton shirts, regulation-width trousers and short hair. Poon seemed to get away with flouting the rules because he didn't try to influence the other boys. He attended the school for just a year, but several classmates remember him as a mediocre student, a polite, quiet, rich kid who shot hoops alone.
Poon continued his education at Britain's elite Uppingham school and Occidental College in Los Angeles, where he studied philosophy and economics. He sharpened his retail smarts during an 18-month apprenticeship in watch-making at Chopard's Geneva factory. He still designs some of his watches; he wore a diamond-studded one to an Asiaweek photo shoot. Poon returned to Hong Kong in 1980 at 23 with a hint of public-school drawl, a collection of Polo shirts and a concept of space. Hong Kong retailers at that time didn't spare much thought for a store's layout. But Poon knew the nouveau riche were looking for something new.
"I felt there was a niche in terms of another style for how business could be conducted," he says. His father loaned him $1 million, which allowed Poon to establish himself at Hong Kong's best addresses. He opened the first Dickson Watch & Jewelry shop that year. He took on his first brand, Charles Jourdan, two years later. "Dickson was aiming high," says Joseph Wan, the managing director of Harvey Nichols and Dickson's ex-finance director. "He wanted to get big quickly, and to list as early as possible."
He was young, handsome and prominent. He ate at the best tables at the best restaurants and developed a taste for expensive red wine. He dated the town's most beautiful women, until he wed Marjorie Yang, the daughter of a prominent Shanghai textile family. It is said that she helped Poon win the right to sell Polo/Ralph Lauren in Asia. They had a daughter, Dee, but their union was brief. Poon's business, meanwhile, was developing nicely and he invested in Hong Kong's movie industry and began to mix with the stars. When he was looking for a woman to feature in a watch commercial with Jackie Chan, Poon came across a photo of Michelle Yeoh, Miss Malaysia 1983, at a friend's home. He offered Yeoh the commercial, a two-year film contract and, later, his hand in marriage. She accepted all three. Poon supposedly spent $125,000 on Michelle's wedding dress. They divorced three years later.
Yeoh, who has since become Asia's best-paid actress and was recently chosen as the new Bond girl, gave up her kung-fu movie career during the marriage. Hubby apparently preferred that she concentrate on being Mrs. Poon, a role that required lots of lunches and shopping. During a recent visit to Hong Kong, Yeoh wouldn't say much about the divorce. "There are no guarantees in life. We grew apart," she confided over coffee at the Mandarin Oriental. She is less reticent about the marriage. "It was the best thing that happened to me then," she says. "Thanks to Dickson I am here." She and Poon did not have children and do not have much of a relationship today. But Yeoh says she and Poon's first wife "are like sisters" and Poon's eldest child is her goddaughter. Yeoh was heading to America, where she planned to visit Dee at boarding school.
Poon has since re-married, in May 1992, to Pearl Yu. He was 36, she was 26 and a Harvard-educated retail analyst at James Capel. Pearl comes from a prominent Hong Kong family and reportedly traveled to work in a Rolls Royce. They met when Poon was invited to make a presentation at her firm. When they were engaged a year later, they issued no formal announcement. In an interview days after their marriage, Poon described the ceremony as "private and personal." Gossip columnists detailed a champagne dinner with 12 arches made of pink and white balloons, lots of pink satin, seating cards embroidered with pearls and an eight-tier wedding cake with a string of pearls attached. The bride changed from one Herve Leger couture dress to another before dinner.
Asked why his latest wife was the one for him, Poon replied: "Pearl understands my business requirements and ambitions. I'll remain committed to the business and she must know my life, my character, me as a person. She must support it totally." Pearl generally let her husband do most of the talking during the interview, though she did have this to say: "He is a little more serious than I thought." And apparently more extravagant in private life than at work. For Pearl's birthday, Poon sent her 99 red roses, booked an entire restaurant for the two of them, and there presented her with rose No. 100.
Poon has worn his divorces and his suits well. And maybe that's why people once second-guessed him. "The market perception was that he was a bit eccentric," says an analyst. In London, Poon would have had to do a lot more to prove he was an oddball executive; in Hong Kong he had to work hard to prove he wasn't. He decided to acquire his own label, and in 1987 bought the French company S.T. Dupont for $52 million. It is best known for its gold-trimmed lighters and fat-nib pens, the kinds of accessories the rich like to give each other.
"Everybody who was anybody was looking at Dupont," says Walter Wuest, an executive director of Dickson Concepts who has been Poon's partner since 1983. "Many felt Dupont was relying too much on the lighter business. But we thought it good to be No. 1 in any business." And so it was. Dickson Concepts restructured Dupont and introduced the brand to China with lucrative results. Poon, says an analyst, became known as someone with a talent for "resuscitating labels to suck the last bit of life out of them."
That's not quite how Poon puts it. In December he spun off Dupont; the listing earned Dickson Concepts $50 million. When asked about Dupont's prospects, Poon said: "We have budgeted earnings to grow well in excess of 50% in the current financial year and expect double-digit growth to continue in the coming years." Maybe, but "Dupont was the division with the least attractive prospects," says Elizabeth Gouw, a retail analyst at Union Bank of Switzerland. "It is a mature brand."
Selling the right labels can make you rich; owning the right stores can make you famous. In 1991, at the height of Britain's recession, Poon bought Harvey Nichols for $96 million. The move was not widely applauded at the time. Here was a 178-year-old, down-at-the-heel establishment with an image best described as dowdy. Today it is one of Europe's most celebrated department stores. After all, the two main characters of the comedy series Absolutely Fabulous go on giddy binges at Harvey Nicks. Last April, Poon floated nearly 50% of the company, at slightly above $4 a share, giving Harvey Nichols a valuation of $224 million. Investors cheered.
If it sounds like a fantastic fluke, it isn't. "There is no magic formula," says executive director Lee, "just the efficient use of resources." Poon sent in as managing director a bean counter from Hong Kong, the 42-year-old Wan. "We look at how we spend every penny," says Wan. "If there is no benefit, then we save the penny." Wan and Poon presided over a $17-million facelift, introduced strict inventory and cost controls, and increased the number of independent concessions. Wan kept the store open later during the week so those who have to earn their money can shop. He made sure the air conditioning and lights were turned off after the doors were closed. Poon put a restaurant on the top floor. The decision defied conventional wisdom; surely no shopper worth her credit line would trek upstairs to lunch. Today the Fifth Floor is one of London's most fashionable eateries.
Though Poon kept a low profile in London, Harvey Nichols was quite another matter. One season a fish made of sardine cans filled the main display window. When a second store opened in Leeds in October, a print ad featured a woman on all fours with a pink ribbon around her neck. The caption read: "Leeds, not follows." Is it any wonder Poon was rebuffed when he brought the Harvey Nichols concept to conservative Asia? He wanted to open a Hong Kong department store, but couldn't find affordable space. So he settled on several Harvey Nichols boutiques. Before long, all were shuttered -- the clothes were too subtle, say observers, and the prices too lofty. It was Poon's most public and perhaps most expensive miscalculation. (An aggressive and unprofitable plunge into China was his other. The group reported a $2.3 million loss in 1995 from that venture.)
Never mind, now Poon has Seibu. He bought an 85% stake in the Hong Kong and Shenzhen branches for $23 million last year and has the right to open stores elsewhere. The Hong Kong Seibu was losing money when Poon took over and it won't be easy to turn it around. Lee, who is in charge of operations, is applying the Dickson theory of cost cutting: chop middle men; reorganize store space; introduce a data system that provides up-to-the-minute sales and inventory stats; and, oh yes, bring in more innovative products.
Since Seibu still requires a considerable amount of the group's managerial talent, some wonder if Dickson can take on Barneys too. Yet earlier this month Poon offered Barneys' creditors $240 million cash plus a minority stake in operations outside America for the four flagship stores and 18 outlets. A bankruptcy committee will review the proposal. But it will likely be months before a decision is announced.
Barneys is the kind of store that installs two huge aquariums and starts a trend in Manhattan. But its owners, the Pressman brothers, drained company finances. The Japanese department store Isetan was a partner; now it is either a creditor or a debtor depending on who you ask. The Pressmans declared bankruptcy last year, and the legal wrangling between them, Isetan and vendors owed money has been nasty.
Poon's lowball offer has not been well received; one group of creditors outright rejected it. Barneys' debt totals $350 million, and most expected Poon to offer about that. Others hope his initial bid will draw out companies willing to pay more for the prestige. Neiman Marcus Group and Saks Fifth Avenue have expressed interest in Barneys, but haven't revealed their intentions. Poon is unlikely to join a consortium with either of them. Nor is he likely to join a bidding war. "Dickson has great intuition for what the other side will accept," says Ching. "When we think the deal is going to fall through, Dickson always says push for more. Usually he's right." Adds Wuest: "Many people make good acquisitions, but they pay too much. Dickson knows the value of money."
And that is precisely how he built an empire that stretches from Hong Kong to London. Deep down, perhaps, he understands that he is no visionary, just a shrewd businessman who has yet to stumble badly. Poon is nothing if not consistent, even conservative -- certainly by fashion industry standards. Once or twice a month, Poon and his lieutenants go to a coffee shop in a five-star hotel near the Dickson headquarters. The seating arrangement never varies: The underlings sit on their side of the table, the boss on his. Poon orders the same dish every time. Don't let that turtleneck fool you.

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Dickson Watch & Jewelry (1980)
12 stores selling signature timepieces such as Rolex and Chopard


Charles Jourdan (1982)
at 34 outlets throughout Asia. Dickson Concepts also makes their watches, lighters and pens

Polo/Ralph Lauren (1983)
in 56 boutiques and counters in Southeast Asia.

S.T. Dupont (1987)
menswear and lighters; Poon's first brand acquisition; Dupont makes pens for Louis Vuitton

Bulgari watches & jewelry (1988)
in four boutiques in Hong Kong and Taipei

Harvey Nichols (1991)
two stores and two eateries in Britain; failed in Asia

Perry Ellis (1994)
Dickson owns the Southeast Asian license

Warner Brothers Studio Stores (1995)
four outlets in Hong Kong and three in Singapore. Dickson makes Asian-oriented Warner novelties such as Tiny Toons chopstick holders

Lalique crystal (1995)
one outlet in Shanghai, one in Beijing.

Seibu Dept. Store (June '96)
in Hong Kong and China

Joan & David (August '96) 
two Hong Kong stores selling the classic (and pricey) footwear

Escada (September '96)
11 clothing boutiques in Hong Kong

South China Morning Post (subscription) - 11 nov. 2011
Dickson Poon, whose companies include Harvey Nichols, donated £1 million last October to St Hugh's College, Oxford, for the creation of a China Centre. ...
Ng Yuk-hang in Oxford
Nov 12, 2011

Some of England's most prestigious universities, strapped for cash after deep cuts in government subsidies, are to step up fund-raising drives in Hong Kong and the mainland.
While Oxford, Cambridge and the London School of Economics say government grants will still make up the bulk of their income, these elite institutes are increasingly looking eastward to diversify funding.
And the amount donated by Hong Kong philanthropists is expected to rise this year, with new scholarships and projects to be announced.

"Oxford University has put an increasing emphasis on our relationship with China and Hong Kong," a spokesman for the English-speaking world's oldest university said. "We are looking more to philanthropy."
Last year Hong Kong businessmen donated at least £2 million (HK$24.77 million) to the top three English universities: Oxford, Cambridge and the LSE. This is expected to increase this year and next. (On top of that, Li Ka-shing donated £5 million to Oxford for an infectious diseases research programme in Asia.)
The LSE said donations from Hong Kong had surged in recent years - from just £19,000 in 2007 to £45,000 in 2009 and more than £775,000 in the last academic year.
"At a time when the UK government has sharply reduced funding of higher education, we, like all universities, increasingly have to look to alternative sources of funding," an LSE spokesman said.
Britain's coalition government has drastically cut public spending to reduce a record deficit. In England, university tuition fees have tripled, triggering riots and protests. All but one of England's 130 universities will get less money from the government after adjusting for inflation. Oxford's funding will be cut by 1 per cent in real terms and government grants to Cambridge will drop 3 per cent.

But many Hong Kong tycoons are willing to support these prestigious institutes. Dickson Poon, whose companies include Harvey Nichols, donated £1 million last October to St Hugh's College, Oxford, for the creation of a China Centre. Construction of the 6,600 square metre building, to bear Poon's name, starts next year.
"We owe a debt of gratitude to Mr Poon and the other donors who are making the China Centre possible, despite the financial climate," said Professor Andrew Hamilton, the university's vice chancellor.
Former Sun Hung Kai Properties chairman Walter Kwok Ping-sheung also donated to Oxford. Two weeks ago, the Walter Kwok Foundation pledged £100,000 to set up a scholarship for Hong Kong students to study politics at Oxford. The billionaire said he was thinking of offering more scholarships in the future - such as sponsoring a joint undergraduate degree programme between Oxford and the University of Hong Kong.
"The reason why I chose to partner with UK universities is because Hong Kong inherited its entire legal system from Britain," Kwok said. He also donated to Cambridge and Imperial College London. Copyright (c) 2011. South China Morning Post Publishers Ltd. All rights reserved.



27 Jul 2010 ... Now two important Chinese businessmen are investing in Brazilian farmland as stated in Financial Times. Agrifirma farmland fund leaded by ...


MARTES 27 DE JULIO DE 2010
Two important Chinese tycoons invest in Brazilian farmland

Now two important Chinese businessmen are investing in Brazilian farmland as stated in Financial Times. Agrifirma farmland fund leaded by Argentine CEO Julio Bestani (former Soros Adeco Agro fund) reported in this press release that they have received funds from two Chinese leading entrepreneurs.

Agrifirma is also operated by COO Rodrigo Rodrigues, the son of a former Brazilian Secretary of agriculture and member of a traditional farm family group in Sao Paulo.


Here the release from FT By Tom Mitchell and Robert Cookson in Hong Kong

A farmland development group backed by Jacob Rothschild is hoping to become the first Brazilian company to list on the Hong Kong stock exchange, after attracting investments from some of the territory’s largest tycoons.

Agrifirma Brazil purchases scrubland and transforms it into agricultural land. The company has raised $179m to date, including investments from two Hong Kong tycoons – Raymond Kwok and Adrian Fu – and Lake House, an investment group.

“There is a shortage of farmland in China itself,” said Mr Fu, a hotel developer. “Eventually China will have to go abroad to source crops.” The Kwok family controls Sun Hung Kai Properties, Hong Kong’s largest property developer.

Ian Watson, Agrifirma Brazil’s London-based chairman, said: “The wealth in the developing world is going to cause foodstuffs to go up in price.” He noted that Brazil had 14 per cent of the world’s freshwater resources, while China’s populous northern provinces and cities were perennially parched. “When you export agriculture you are exporting water.”

Mr Watson last week met investment banks, Hong Kong stock exchange officials and regional sovereign welfare funds, including China Investment Corp. Last year, CIC paid $856m for a 15 per cent stake in Noble Group, the Hong Kong commodities trader, in a deal highlighting China’s preoccupation with food security.

Agrifirma Brazil hopes to raise another $100m-$200m before launching an initial public offering next year. “The markets got a little in the way in 2008 and 2009, but now we are ready to proceed,” said Charles Brown, a Lake House director who sits on Agrifirma’s board.

Agrifirma Brazil has acquired 60,000 hectares of land in Bahia province and plans to increase its land bank to 100,000 hectares ahead of an IPO. The company spends approximately $2,300 to acquire a hectare of scrubland and transform it into farmland.
Source: Financial Times . Thanks Matt Phinees for Agri Food Think Tank


10 Nov 2011 ... Big business has woken up to the growth potential of organic agriculture in China . This will boost the sector, writes Yuan Ying, but could also ...


China’s biggest PC manufacturer to grow vegetables? It sounds ridiculous, but that’s exactly what Liu Chuanzhi, chairman of computer giant Lenovo, wants to do. 

“Agriculture is a very important sector,” Liu told reporters early last month during a discussion about the future direction of the firm. Shortly afterwards, Chen Zhaopeng, Lenovo’s former senior vice president and president of emerging markets, moved to parent company Legend Holdings to take up a post as head of the modern agriculture business. 

“The arrival of this new leadership marks a fresh strategy for our agricultural business,” said spokesperson Gui Lin.

At the start of the year, rumours were already circulating in industry circles that Lenovo was looking to partner with Chengdu city, western China, on farming projects. This would see the creation of a new food brand, concentrating initially on fruit products. Liu has also said talks about 12 agricultural investment schemes are under way.

Liu is not alone in his new passion. Property tycoon Wang Jianlin, chairman of Dalian Wanda is also heading out to the fields. 

In Yanqing county, to the northwest of Beijing, Wang’s company is planning a 10,000 mu organic farm (one mu is around 667 square metres), set to produce over 1,200 tonnes of organic fruit and vegetables each year, even though Wanda has never previously had anything to do with organic agriculture. 

Even e-commerce hotshot Liu Qiangdong, chief executive of 360buy.com, is getting in on the act. For a while his website was selling a brand of organic “entirely pollution-free” rice, grown in Liu’s home county in Jiangsu province, eastern China. The product is now listed as “sold out”.

“The rice was an experiment, and 360buy.com is still exploring the possibilities of organic agriculture,” said one industry insider close to Liu.  

Zhu Xinli of Huiyuan Juice Group is even more ambitious. In a valley in Miyun, to the northeast of Beijing, he has taken charge of a new project. With 400 mu of organic peaches, 300 mu of organic apricot and plum trees, 30 mu of organic peppers, 20 mu of organic strawberries and more, Zhu wants to create a “second Huiyuan” on this 15,000 mu tract of land. Already in charge of the leading business in the fruit juice industry, Huiyuan’s boss now has a new goal: to become a giant of the organic farming world. 

From IT to property, e-commerce to soft drinks, experienced and capital-rich executives are piling into organic agriculture, and their arrival could mean big changes for the industry.  

Until five years ago, these businessmen had not woken up to the growth potential of organic agriculture. In the past, Zhang Lihui of Tsing Capital struggled to find organic agriculture projects to invest in. “There was a range of problems – limited land, a weak system for certifying organic products . . .the market wasn’t there at the time,” he said. 

Then, in 2006, Sequoia Capital, the world’s largest venture-capital firm invested US$5 million (31.7 million yuan) in Fujian farming firm Linong, while investment bank Goldman Sachs spent US$315 million (2 billion yuan) buying meat-processor Shineway. The capitalists had announced their arrival. 

In the years that followed, international investors including Deutsche Bank, the Blackstone Group, The Carlyle Group and SAIF Partners all jumped into China’s agricultural sector. Investment peaked in 2010. A consortium led by Tsing Capital ploughed US$10 million (63 million yuan) into Tony’s Farm, Shanghai’s largest organic outfit. Industry insiders say that the company made a profit of 50 million yuan (US$7.9 million) in 2010, and that this figure is set to at least double this year. 

Figures from the Zero2IPO Research Center, a venture capital and private equity consultant, show that in 2010 investment in agriculture reached a new peak: 47 investments were made totalling US$891 million (5.7 billion yuan) – more than half the worth of all previous investments put together. 

“Green and organic methods are one of the factors attracting capital,” said Zero2IPO researcher Xiao Jun. And the tycoons have sniffed out this opportunity. 

State-owned foodstuffs corporation COFCO has repeatedly sent delegations to observe operations at Tony’s Farm and its food products website Womai.com is set to invest 10 billion yuan in an organic sales platform. Meanwhile, not content with selling organic rice, Liu Qiangdong is considering setting up farms around Shanghai, to be managed by Tony’s Farm. 

“There aren’t any established organic agriculture brands, or any strong companies – it’s wide open for quick entry and expansion by investors,” explained Tsing Capital’s Zhang Lihui. 

Organic and Beyond was one of the first firms to open up sales channels for organic food products, by offering them as corporate gifts. “Retail channels are the most valuable part of the chain,” its chairman, Zhang Xiangdong said.  

“Besides capital, existing retail and online sales platforms give the big companies an advantage in the organic agriculture market,” added Xiao Jun.

Despite facing so many powerful competitors, founder of Tony’s Farm Zhang Tonggui doesn’t feel under pressure. Quite the opposite: he told Southern Weekend that “The entry of stronger companies will shake the sector up and force the small and medium sized firms to improve.”

The idea of organic agriculture first came to China in the 1980s. “But from then until 2005 it was export-orientated,” explained Shi Yan, who founded Beijing’s Little Donkey Farm after gaining a PhD in sociology from Tsinghua University. 

By 2008, China was starting to pay a lot more attention to food safety due to a series of scandals, most infamously the poisoning of babies with melamine-tainted infant formula. “That was when community-led organic agriculture began to emerge in China,” Shi said. 

But compared to thriving markets in the European Union and United States, China’s organic agriculture sector is still in its infancy. It remains marginalised and, if it is to expand, needs larger companies to get involved. 

Since 2009, renowned agricultural expert Wen Tiejun has been helping Shi Yan experiment with organic community-supported agriculture on a 20 mu patch of land in Beijing’s Haidian district. 

She said she has learned a lot over the last two years, including the fact the sector’s powers are limited: “There still aren’t any powerful interest groups involved, so when it comes to lobbying the government or influencing policy we don’t have anything like the impact of a major fertiliser firm like Sinochem. 

“At the least the arrival of big business will have a beneficial effect on the soil and environment of the area.” Although Shi Yan is cautious about the changes, she is still positive. 

But rich and powerful backers could prove a double-edged sword.

I spoke to farmer Gao Yicheng on the phone while he was out delivering vegetables. It was a Monday, so he was on his way from his home in Anlong, 30 kilometres outside of Chengdu, to make one of three weekly deliveries of organic vegetables grown by his farming cooperative.

The group of nine households has 40 mu of land, and provides vegetables to 170 Chengdu families. Its monthly income is about 2,000 yuan and Gao and the other farmers are very busy. 

Over the past year, lots of companies have visited Anlong to propose cooperation, investment, even acquisitions, many of them well-known firms. But Gao has refused them all. “We’ve always been small farmers. If we become part of that industry, we won’t be able to do things the way we like anymore or guarantee our future livelihoods,” he explained. 

To achieve economies of scale, it is crucial for the big firms to piece together large stretches of land from smaller holdings. Take Huiyuan’s 15,000 mu of land in Miyun as an example: that land belongs to 900 different households in two different villages. Chen Zhihui, a company official, explained that the company started to lease land here in 2006. The villagers get 800 yuan per mu per year, paid every five years. 

“There’s been a fundamental change in the way the agricultural means of production are organised,” said Zhang Xiangdong of Organic and Beyond. In the short term, this means farmers are getting more income than they would if they worked the fields themselves, which seems like a good thing. But there are huge worries about what that separation of farmers from the land will mean in the long term.

Similar concerns exist in the United States, where organic agriculture is more mature and the industry is controlled by a small number of large firms. One of America’s earliest advocates of organic farming, Elizabeth Henderson, told Southern Weekend that, since discovering the profits to be made in the organic food market, big business has been snapping up existing farms, or establishing their own. This has created new challenges, she said. “Organic agriculture in the US faces problems, with these firms unfairly treating their workers, squeezing out small farmers and using their clout to influence organic standards.”

The values at the heart of organic agriculture – ecological protection, health, love and justice – seem to be at risk as the sector scales up and become more commercial. 

The Chinese tycoons are already speeding up. How will the long term interests of farmers be assured once their land has been leased? How will Gao Yicheng and similar farmers compete? We don’t yet know the answer. 

Yuan Ying is a reporter at Southern Weekend, where this article was originally published.



7 Sep 2011 ... The Hurun rich list, which has been tracking China's tycoons since 1999, on Wednesday said it had counted 271 dollar billionaires in China last ...



29 Apr 2011 ... Tycoon behind 'China's Google' tops rich list ... Nearly 30 per cent of China's tycoons are mainly involved in the property business, while other ...


7 set. 2011 ... Liang Wengen, presidente do Sany Group, grande produtor de maquinaria de construção da China, foi nomeado como o homem mais rico na ...
Liang Wengen, presidente do Sany Group, grande produtor de maquinaria de construção da China, foi nomeado como o homem mais rico na parte continental chinesa com uma fortuna de 70 bilhões de yuans (US$ 11 bilhões) em um relatório do Instituto de Pesquisa Hurun.
O Nº 1 do ano passado, o "Rei das bebidas" Zong Qinghou, do Wahaha Group, ficou em segundo lugar com 68 bilhões de yuans (US$ 10,69 bilhões), seguido por Robin Li Yanhong do Baidu.com, maior site de busca chinês, com 56 bilhões de yuans (US$ 8,80 bilhões), segundo o relatório divulgado nesta quarta-feira.
A fortuna de Liang Wengen vem da posse de 55% das ações do Sany, que tem duas empresas listadas neste momento. Liang, de 55 anos de idade, planeja listar toda a operação no ano que vem.
O crescimento do setor chinês de construção e do mercado doméstico no varejo promoveram aumentos de fortunas pessoais, disse o relatório Hurun.
Outro fator para o crescimento foi o êxito do grande número de listagens nas bolsas, o que para 29 das 50 pessoas mais ricas no ranking Hurun é a principal origem da riqueza.
Apesar da prolongada crise financeira global, o ano 2011 bateu o recorde para os chineses ricos. O número de bilionários chineses com uma fortuna de mais de 1 bilhão de yuans na lista Hurun 1000 chegou a 271, maior que o 189 no ano passado e dobrou o número em 2009, segundo o relatório.
A fortuna mínima para entrar na lista Hurun 1000 chegou a US$ 310 milhões, ante os US$ 220 milhões em 2010 e os US$ 150 milhões em 2009. A fortuna média das pessoas mais ricas na parte continental chinesa atingiu US$ 924 milhões.
O relatório é resultado da 13ª edição do ranking anual dos indivíduos mais ricos no continente chinês, desde que o Hurun Report criou a China Rich List em 1999.
por Agência Xinhua

Construction tycoon tops Hurun Rich List
By Wang Zhenghua ( China Daily )
2011-September-8

 One-third of top 50 also delegates of National People's Congress, CPPCC
SHANGHAI - The Sany Group's founder Liang Wengen is China's richest man with a fortune of 70 billion yuan ($11 billion), according to the Hurun Rich List 2011.
The list, released by the Hurun Research Institute on Wednesday, showed that the nation's most affluent group continued to expand rapidly this year, buoyed by China's unceasing construction boom and growing retail market.
It has been a record year for China's rich, despite the ongoing difficulties of the world economy.
The number of US dollar billionaires on the list shot up to 271 from 189 last year and 130 in 2009.
The cut-off point to make the top 1,000 on the Hurun list jumped to $310 million, compared with $220 million last year and $150 million in 2009. The average wealth hit $924 million.
"China's rich have defied the global financial crisis with another record year of growth," said Rupert Hoogewerf, the institute's chairman and chief researcher.
Another driver for the growth in wealth has been a large number of successful stock market listings.
Twenty-nine individuals in the top 50 count property as one of their main sources of wealth.
The super-rich are well-connected too, the report said. About one-third of those in the top 50 are delegates to the National People's Congress or Chinese People's Political Consultative Conference, or are senior Party members.
With China's construction explosion showing few signs of slowing, Liang's heavy construction equipment is in strong demand and his Sany Group has come a long way since its founding in 1989 as a small welding materials factory in central China's Hunan province.
Liang's $11 billion fortune is based on his 58 percent stake in Sany, which currently contains two listed companies. The 55-year-old plans to go public with the entire operation next year.
Another member of the super-rich, Zong Qinghou, founder of food and beverage giant Hangzhou Wahaha Group, fell to second place this year from first in 2010.
The 66-year-old's company has seen profit margins squeezed, resulting in a drop in his wealth from $12 billion last year to $10.7 billion this year, even though sales rose about 30 percent.
Zong was followed by 43-year-old Robin Li, CEO and co-founder of Baidu Inc and the youngest of the top 10 with a net worth of $8.8 billion.
Google Inc's withdrawal from the Chinese market last year has allowed Baidu to build on its dominance in the Chinese-language Internet search services.
Hidden billionaires
The real number of China's wealthiest people is probably a lot more than 271, since there are an estimated 300 hidden US dollar billionaires.
"You can double the real number of billionaires in China to nearer 600," Hoogewerf said.
More broadly, China has 960,000 individuals with personal wealth of 10 million yuan or more, according to the Hurun Wealth Report 2011 released in April, up 85,000 or 9.7 percent year-on-year.
The average rich lister on the Hurun Rich List 2011 is 51 years old. On average, these individuals left government jobs at age 33 and invested in what are now their main businesses at 37.
It took the average entrepreneur 10 years to list their company, and many started to cash out last year, according to the institute.
Not only are China's rich getting richer, but they are also becoming increasingly generous, according to the Hurun Philanthropy List 2011, a ranking of the 100 most generous individuals measured by the value of their cash or cash-equivalent donations over the past year.
Cao Dewang and his family donated $700 million in the past year, taking the title of China's most generous philanthropist.


ATUALIZAÇÃO : 04 de abril de 2018

Passados praticamente 7 anos da postagem desse meu artigo sobre a China, mais de 20 do meu trabalho para a abertura chinesa com a Embaixada da República Popular da China em Brasília e 19 anos da minha visita à Hong-Kong e imediações, é com prazer que incluo aqui nos comentários a ENTREVISTA dada por meu filho Carlos Portugal Gouvêa sobre a mudança das leis na China, onde o novo Código Civil chinês lançará a plataforma para a China se tornar a Primeira Economia Mundial a fim de atender o sistema híbrido de capitalismo chinês. Valeu a pena ler a entrevista do meu filho para se constatar como à esquerda brasileira está longe, muito longe até mesmo do maior país comunista chinês que se prepara para ser líder no mundo há mais de 20 anos. Espero que vocês também apreciem. 


China prepara cartada jurídica para se tornar a maior economia do mundo
Especialistas apontam que legislação seria um passo fundamental para a abertura da economia chinesa, além de uma aproximação aos sistemas de organização econômica e jurídica ocidental
  • Marcos Ricardo dos Santos, especial para a Gazeta do Povo [01/04/2018] [20h27]

Sem pressa e sem alarde, a República Popular da China se prepara para dar o passo que pode ser determinante no caminho para se consolidar como a principal economia do mundo: a criação de um Código Civil. O processo de codificação foi iniciado em 15 de março de 2017, quando o Congresso Nacional do Povo, órgão legislativo máximo do país, aprovou uma espécie de “Parte Geral” do futuro Código Civil chinês.
“Essa Parte Geral, que tem o nome de Disposições ou Regras Gerais do Código Civil, é um documento jurídico de importância sem precedentes na China, porque servirá de alicerce para o complexo processo de elaboração de um novo Código Civil, cujo término é previsto para 2020”, diz Otavio Luiz Rodrigues Junior, professor de Direito Civil da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP).
Rodrigues Junior explica que “a China assumiu paulatinamente um papel de relevo no mercado internacional e, como tal, foi instada a adotar padrões comuns para o comércio internacional, a circulação de pessoas e de bens, além de se vincular a alguns standards normativos no campo dos direitos da personalidade, do direito de família e do direito das sucessões”.
Para o coordenador do Centro de Estudos Legais Asiáticos (CELA) da mesma
universidade, Carlos Portugal Gouvêa, o novo Código Civil chinês reunirá elementos, principalmente no âmbito do direito societário, que trarão segurança e confiança não apenas para os chineses, mas também para investidores internacionais, ampliando ainda mais o potencial econômico do país.
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“Há um comprometimento do Congresso Popular Nacional, que acaba representando em grande medida a opinião do Partido Comunista, no sentido de realmente aprofundar as reformas que estão sendo implementadas na China”, diz o professor Gouvêa.
Ele analisa que uma das partes mais importantes da lei se refere justamente ao direito societário, ainda que ser muito detalhamento até o momento. Por enquanto, a Parte Geral do
Código contextualiza regras gerais que seriam aplicadas a pessoas jurídicas, protegendo sua propriedade e limitando a responsabilidade dessas pessoas jurídicas ao seu capital. “Ou seja, incorpora vários elementos tradicionais do direito societário”.
Desde a instauração do regime comunista na China, em 1949, quando foram revogadas todas as leis relativas ao direito privado, o desenvolvimento econômico do país está baseado no reconhecimento somente a companhias controladas pelo Estado, os chamados “negócios coletivos”, permitindo também a existência de joint ventures formadas por empresas estrangeiras, desde que associadas a empresas chinesas, para garantir a transferência de tecnologia.
Aos poucos, principalmente a partir de maior integração com o sistema financeiro de Hong Kong, antiga colônia britânica que foi incorporada pela China, em 1997, como região administrativa especial, observa-se uma tendência de aproximação com os padrões internacionais.
De acordo com Gouvêa, a partir de uma maior familiaridade com os sistemas internacionais de financiamento, de mercado de capitais e com o sofisticado direito societário de Hong Kong, o governo chinês parece ter identificado novas possibilidades de financiamento da atividade empresarial, sem, no entanto, que isso represente uma diminuição do protagonismo estatal na economia.
“Há a expectativa que o novo Código Civil crie tipos societários que possam ser controlados diretamente por estrangeiros, o que representaria um passo substancial no sentido da abertura da economia chinesa e de uma maior proximidade com os sistemas de organização econômica e jurídica ocidental”, explica Carlos Portugal Gouvêa, da Usp.
“De certa forma talvez isso também represente um passo grande da China no sentido de assumir uma liderança global mais substancial”, diz.
Com base na compreensão de que o interesse coletivo deve se sobrepor aos interesses individuais, parte substantiva do crescimento econômico chinês se deu a partir de grandes projetos de infraestrutura e de reforma urbana, frequentemente causando considerável impacto ambiental e implicando por vezes o deslocamento de populações inteiras. A perspectiva do novo Código Civil é de trazer regras mais claras em relação aos processos de desapropriação e de expropriação da propriedade privada.
Para o professor Gouvêa, essa mudança representaria um ganho de legitimidade dos chineses perante o resto do mundo. “De certa forma, eles têm a percepção de que há uma crítica muito grande na forma como lidam com questões ambientais e de deslocamento de populações”, explica.
“Adotar essas regras de fato aumentaria legitimidade e permitira que a China passasse a ter mais influência em fóruns internacionais e conquistasse uma liderança não somente com base no poderio econômico e militar, mas também com base em ideias ou, como se diz, conquistando mentes e corações”, avalia o coordenador do Centro de Estudos Legais Asiáticos da USP.
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Wang Yi, professor de Direito Civil da Universidade Renmin da China, destaca que um dos elementos mais importantes do novo Código Civil do país é a ênfase no cuidado humanístico, a partir da prescrição de regras para pessoas naturais desde antes de nascerem, por exemplo, com a extensão do direito de herança aos nascituros.
“As provisões são simbólicas dos tempos. Nós aprovamos as disposições na segunda década do século XXI, durante as quais mostramos nossa preocupação com a proteção ambiental e também com a proteção de informações pessoais e ativos virtuais. Todos eles representam valores compartilhados pelo povo chinês hoje”, disse o professor Wang ao jornal China Daily.
De fato, o novo Código incorpora discussões contemporâneas mais avançadas que muitas legislações ocidentais. Por exemplo, o artigo 111 da Parte Geral prevê a proteção legal de dados pessoais, explicitando que entidades e indivíduos são proibidos de coletar, utilizar, processar ou transmitir dados pessoais, bem como de fornecer, divulgar ou vender dados pessoais ilegalmente – uma atualização bastante avançada em termos globais.
Repetição histórica
Com uma diferença de 200 anos, a China parece repetir o caminho de desenvolvimento traçado pela Europa: uma revolução industrial, a migração de trabalhadores do campo para as áreas urbanas e o aumento de produtividade, culminando em um enriquecimento que permitiu o avanço progressivo de direitos sociais e individuais, positivados na forma de leis escritas de direito privado.
No país, o processo de industrialização ganhou força a partir de 1978, atraindo trabalhadores para as cidades. De acordo com o censo democrático chinês de 2010, cerca de 261 milhões de
chineses deixaram seu local de origem e migraram para outras localidades. O expressivo crescimento econômico chinês das últimas décadas, tal qual ocorreu na Europa na virada do
século XVIII para o XIX, permitiu um contexto de florescimento dos direitos civis individuais.
“Abstraindo-se das particularidades, é reconhecível, sim, um paralelo entre o avanço do ‘capitalismo de Estado’ na China e a adoção de um Código Civil”, considera o professor Otavio Luiz Rodrigues Junior. De acordo com ele, os códigos civis europeus possuíram duas épocas de florações.
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“A primeira é pré-revolucionária, pré-1789. São exemplos os códigos civis da Áustria e de alguns Estados alemães. Nessa fase, diz-se que os códigos eram verdadeiras ‘consolidações’ de normas [uma nomenclatura que até hoje se encontra no caso da Consolidação das Leis do Trabalho, nossa CLT], mas não se lhes pode negar o fundamento racionalista e iluminista”, explica Rodrigues Junior.
A codificação era um símbolo civilizatório para os ‘déspotas esclarecidos’. “A segunda floração ocorrerá, efetivamente, após 1789. Em toda a Europa, a começar pela França (1804), são instituídos códigos civis. Menos por efeito do capitalismo e mais por influência das tropas napoleônicas, que levavam consigo o programa do recém-instituído Império francês, que era o da libertação dos povos do jugo das dinastias tradicionais europeias. O ‘término’ desse processo ocorrerá em 1900, com a vigência do Código Civil alemão”, explica o professor de Direito.
Em oposição ao Direito Consuetudinário inglês, baseado em costumes e na jurisprudência, o Direito alemão, inspirado no antigo Direito romano, consolidou-se como a principal referência do Direito Positivo, que busca prever, em leis escritas, o maior número de possibilidades existentes de relações sociais entre indivíduos, em particular, e na sociedade de forma geral.
A influência do Direito romano no Direito alemão foi sistematizada por juristas que formaram a chamada Escola Pandectista, que realizou uma elaboração sistemática do material jurídico romano em um nível teórico jamais antes atingido, apto a gerar conceitos abstratos e genéricos que vieram a inspirar, posteriormente, a edição do Código Civil alemão.
O estilo românico-germânico do Direito se espalhou pelo mundo, inclusive no Brasil, que passou por um longo processo de discussão do Código Civil, a partir da encomenda que D. Pedro II fez ao jurista Augusto Teixeira de Freitas, em 1858. O texto recebeu muitas críticas e nunca foi publicado. Somente em 1916 o Brasil viria a ter um Código Civil, a partir do trabalho conduzido por Clóvis Beviláqua. Esse Código vigorou até 2003, quando foi substituído pelo texto atual, elaborado por um grupo de juristas coordenado por Miguel Reale.
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Seja na China contemporânea, ou na Europa do início do século XIX, a consolidação dos direitos civis, ocorrida pari passu com o desenvolvimento do capitalismo, tem ainda um elemento de caráter religioso, como descreveu em sua obra mais famosa, A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo, o jurista e economista alemão Max Weber, considerado um dos fundadores da Sociologia.
Weber argumentou que a religião foi uma das razões do porquê as culturas do Ocidente e do Oriente terem se desenvolvido de forma diversa e salientou a importância de algumas características específicas do protestantismo ascético, que levou ao nascimento do capitalismo, da burocracia e do estado racional e legal nos países ocidentais.
Para Weber, a Reforma Protestante trouxe racionalidade à religião, permitindo que se
desenvolvesse a ética do trabalho livre, da livre negociação e do próprio lucro como algo positivo, desvencilhando-se da culpa católica pelo sucesso material.
Essa influência da religião no desenvolvimento do capitalismo também vem sendo estudada no caso da China. O professor de Sociologia Fenggang Yang, diretor do Centro de Religião e Sociedade Chinesa da Universidade Purdue, em Indiana, nos EUA, defende, em artigo, que a
luta travada pelos cristãos chineses em busca de direitos civis, pela liberdade de culto e por direitos humanos de forma geral tem contribuído para ampliar e consolidar as liberdades civis no país comunista.
Segundo o professor Yang, o número de protestantes na China cresce a uma taxa de 7% desde 1950. Se essa tendência se mantiver, em 2030, serão mais de 224 milhões de protestantes chineses – mais do que o número total de cristãos nos Estados Unidos.
Carlos Portugal Gouvêa não compartilha com a hipótese da influência religiosa no processo de construção dos direitos civis na China. De acordo com o acadêmico da USP, ao contrário do que se pode ser levado a pensar pelo senso comum, por conta da Revolução Comunista de 1949, na história chinesa não há tantas quebras e rupturas.
“Da mesma forma que o Direito no Período Imperial emanava do imperador, o Direito Contemporâneo emana do Estado. O que se percebe é uma quase sacralização do Direito”, analisa. “De uma perspectiva mais interna da China, trata-se de um processo mais evolucionário do que revolucionário”, completa Gouvêa.

O professor considera que o Código Civil consolida um longo processo que se iniciou em 1986, com as primeiras discussões sobre a positivação dos direitos fundamentais, demonstrando que a China prefere construir as mudanças de forma lenta e consistente.

“A edição do Código Civil talvez seja o passo mais importante que a China deu até hoje para implementar aquilo que no âmbito internacional se chama o rule of law, o império do Direito, ao adotar alguns elementos das sociedades ocidentais e liberais, como o reconhecimento de direitos individuais como uma proteção frente ao estado”, finaliza.

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