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sexta-feira, 18 de novembro de 2011

O AMOR DE DONA MARISA LETÍCIA

Novamente, a ex-primeira-dama do Brasil, Dona Marisa Letícia teve a capacidade de me emocionar com o carinho amoroso que ela trata o maridão Lula. Ela realmente tem um marido para chamar de "seu," pois muitas mulheres tem maridos, mas estes nem parecem que são "seus" maridos. De todas as primeiras-damas brasileiras Dona Marisa Letícia foi sem sombra nenhuma a que mais encarnou a idéia que "atrás de um grande homem sempre há uma grande mulher." Dona Marisa durante o exercício presidencial de  Lula nunca andou atrás ou à frente, mas sempre ao lado dele. Não quis aparecer mais que ele, nem buscou a obscuridade, ela estava sempre junto ao "maridão," e durante todo o tempo que representaram o primeiro casal do Brasil, o fizeram de uma maneira tal que ninguém duvidava que realmente havia um profundo amor entre os dois.

Dona Marisa Letícia, foi uma primeira-dama discreta, elegante na simplicidade dela, não deu nenhum passo em falso, apesar de ter tido grandiosos desafios sociais a vencer, os quais outras primeiras-damas não estiveram sujeitas, tal como acompanhar o marido às visitas oficiais aos palácios das casas reais européias. Apesar da torcida contra de brasileiros que desprezavam o casal, mais por sua origem humilde do que pela posição política, de maneira nenhuma eles fizeram feio entre os VIPs dos VIPs, ao contrário deram um bom exemplo da maneira democrática brasileira de ser, que permite frequentar tanto os salões elegantes como as casas humildes daqueles que quase nada possuem e com o mesmo respeito e atenção.

É inegável que Dona Marisa foi sempre a grande força por trás de Lula, e eu poderia até dizer que ela foi a razão do sucesso dele. Essa mulher simples de sorriso doce e sincero espelhou em si milhares de mulheres brasileiras, semelhantes à ela. Mulheres dedicadas aos seus maridos, aos seus filhos e aos seus lares. Mulheres que não estão atrás de um sucesso pessoal, mas cuja maior alegria é ver o sucesso daqueles que ama, colaborando com a sua ajuda firme e sua confiança com tudo que estiver ao seu alcance para que sonhos de seus amados sejam realizados.

Nessa semana pudemos ver mais uma vez Dona Marisa Letícia em ação com seu amor dedicado, cortando a marca registrada de Lula, sua barba, e seus cabelos. Só quem teve que fazer um gesto semelhante a um ente amado adoecido sabe o sofrimento íntimo que custa esse carinho, sabe como o coração dói por ver alguém que tanto se ama sofrendo de uma doeça que poderá lhe ser fatal. Recentes estudos médicos mostraram que os "cuidadores" de familiares doentes estão sujeitos a um imenso stress, pois, além de cuidarem fisicamente dos enfermos, são os provedores de fé e de confiança na cura do paciente. O que comprovou que os pacientes que recebem "amor" daqueles que os amam possuem mais chance de cura do que aqueles privados desse carinho. Novamente, Dona Marisa deu um exemplo de coragem e dedicação, e principalmente de amor.

Ricardo Stuckert/Instituto Lula



Ricardo Stuckert/Instituto Lula
Naturalmente, há quem veja nesse ato uma "promoção pessoal política de Lula," mas não há muita diferença entre as fotos  de Lula sem cabelo e barba, em razão do tratamento de quimioterapia de seu câncer, e a atenção que vem recebendo o ator queridinho da TV Globo, Reynaldo Gianecchini, que também está lutando contra o câncer. Ambos são pessoas públicas e notórias, que estão usando da fatalidade que abateu-se sobre eles para encorajar outras pessoas que sofrem com a mesma doença. Assim como no passado também o fizeram o ex-governador de São Paulo Mario Covas e o ex-vice-presidente José de Alencar, casos de câncer muito mais graves e sem muita perspectiva de cura, o que não é o caso de Lula e nem de Gianecchini. A própria presidenta Dilma Rousseff é um exemplo que atualmente o câncer pode ser vencido devido aos grandes progressos da medicina.

Os adversários políticos de Lula, viram na doença dele algo quase para comemorar, o que foi de profundo mau-gosto. Isso porque só pensam que o sucesso político de Lula deva-se unicamente ao seu carisma, que o fez um líder ímpar. Sinto muito informar que estão errados. Enquanto Lula fazia suas campanhas políticas desacompanhado ele não chegou a lugar nenhum, mas do momento que a Dona Marisa Letícia entrou nas campanhas eleitorais com Lula a coisa toda mudou de figura e ele começou a trilhar o caminho da vitória. 

A razão para isso ter acontecido tem suas raízes a partir de 1994,  em junho daquele ano, o Jornal de Brasília publicou o meu artigo opinativo, entitulado "Revolução das Panelas." Nesse artigo eu falo do crescimento do papel da mulher no cenário político brasileiro, e onde era possível ler-se:

"É espantosa a indignação de machismo explícito de certos articulistas políticos, que destilama preconceitos contra as candidaturas à vice-presidência de Íris Rezende (PMDB) e Gardênia Gonçalvez (PPR), rotulando-as de donas-de-casa, como se esse não fosse um "status" comum a todas as mulheres, sejam advogadas, médicas etc.

O crescente individualismo contemporâneo transformou a sociedade, e hoje até o homem se transfigura de dono-de-casa, sem que isso o desmereça em nada. Entretanto, o mesmo conceito aplicado às mulheres é pejorativo, não obstante grande parte delas cumpram dois turnos de trabalho: o doméstico desqualificado e o profissional mal remunerado (a mulher brasileira ganha 55% do salário masculino na mesma função).

As mulheres, ou melhor, as donas-de-casa, constituem nos nossos dias mais da metade da população, da força de trabalho, de chefes de família, de consumidoras, e sobretudo do eleitorado do País. (...)

As relações femininas com a sociedade têm trazido a gradativa supressão do autoritarismo masculino em prol de uma organização de parceria integradora, com resultados mais produtivos e humanos. O ganho conjunto passou a se sobrepor à competividade egoística do ganho isolado, expressando o anseio feminino de maior justiça social. (...)

(...) A revolução das panelas marca a luta feminina pelo livre acesso aos centros de poder, único caminho que permitirá às mulheres restaurar a própria honra e dignidade, assim como implantar uma justiça social numa sociedade corrupta e desvirtuada.

Donas-de-casa unam-se! Apóiem nossas representantes políticas, para que possam trazer significativas e benfazejas mudanças ao Estado brasileiro. A revolução das panelas começa agora nas urnas, nossa arma poderosa é o voto, unidas, mais uma vez venceremos."

Infelizmente, em 2004, as mulheres ainda não tinham a consciência de seu poder político, todavia essa consciência passou a germinar, crescer e vindo a florescer plenamente e após nove anos de ter sido publicado eesse artigo produziu seus primeiros frutos nas eleições de 2003. Naquelas eleições o papel de Dona Marisa Letícia foi engrandecido durante a campanha presidencial, e Lula e sua Marisa logo se tornaram o "casal 20" brasileiro, e conquistaram os corações da maior parte do eleitorado, pois simbolizavam as aspirações de milhares e milhares de donas-de-casa brasileiras semelhantes à Dona Marisa. A eleição da presidente Dilma Roussef também foi uma consequência direta da revolução das panelas e do poder do voto feminino, porquanto o governo Lula contemplou as mulheres com várias iniciativas que atendiam aos seus desejos de dar uma vida melhor para suas famílias e de serem também mais respeitadas e menos discriminadas na sociedade.

O Censo 2010, publicado pelo IBGE nos últimos dias, mostrou que a população brasileira é constituída de 190.755.795 habitantes, destes 54% são mulheres e que 38% dos domícilios possuem mulheres como chefes de família. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de julho de 2010 revelaram que o eleitorado feminino brasileiro já era de praticamente 52%, correpondendo a aproximadamente 5,5 milhões de eleitoras (segue ao fim do texto artigo da Agência Brasil com mais informações). Logo, se pode concluir que o peso do voto do eleitorado feminino nas próximas eleições minoritárias será novamente decisivo. 

Assim, senhores "candidatos" aos cargos públicos estejam avisados que há uma multidão de donas-de-casa brasileiras observando suas atitudes, então tratem de arranjarem as suas "Marisas Letícias" de suas vidas, porque, sem elas, vocês estarão condenados a ficarem chupando o dedo nas próximas eleições. E quanto às candidatas mulheres, prestem atenção, queridinhas, pois ser mulher-boa ou dona-boa não quer dizer ser "boa-mulher" ou "boa-senhora," tem gente que é tola o bastante para usar o voto democrático para fazer piada com a nossa democracia e votar nos corpões sensuais de candidatas, que não serão jamais candidatas de corpo, e dignas de serem representantes femininas e menos ainda do povo brasileiro. Fica aí o conselho aos candidatos de ambos os sexos: não menosprezem as mulheres que lutam para dar uma vida melhor às suas famílias, pois elas são as "Marisas Letícias" do Brasil, a força que impulsiona o nosso País para frente.

Dados do TSE mostram que eleitorado feminino mantém crescimento
20/07/2010 - 19h48


Débora Zampier
Repórter da Agência Brasil

Brasília – As mulheres aumentam diferença sobre os homens no colégio eleitoral brasileiro. Segundo dados divulgados hoje (20) pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), elas representam agora 51,8% do eleitorado, um total de 70.373.971 milhões de votantes. Os homens são 48% dos votantes, ou 65.282.009 em números absolutos.
A diferença na soma entre o total de homens e de mulheres, que é de 0,109%, ou de 148.453 eleitores, é explicado pelo fato de que antigamente os eleitores não precisavam informar o sexo na hora de retirar o título de eleitor. “Essa informação vai sendo corrigida aos poucos, pois agora há um sistema único de registro de eleitores”, disse Giseppe Janino, secretário de Tecnologia da Informação do TSE.
O número de eleitoras vem crescendo desde as eleições de 2006, quando representavam 51,53% do colégio eleitoral. Nas eleições de 2008, a porcentagem foi para 51,76%. Embora a diferença percentual entre 2006 e 2010 seja de apenas 0,27%, em números absolutos isso corresponde a quase 5,5 milhões de eleitores a mais do sexo feminino.
A tendência da maioria feminina segue o que é observado na divisão de brasileiros por gênero. Segundo o último censo demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2000, há 3% mais mulheres que homens no país.
Com exceção de Mato Grosso, Rondônia, Roraima e do Tocantins, as mulheres são a maioria entre os eleitores nos estados. O Distrito Federal e o Rio de Janeiro são os que apresentam proporcionalmente os mais altos percentuais de mulheres votantes, com 53,6% e 53,2%, respectivamente. Os estados com maior proporção de eleitores homens são de Mato Grosso, com 50,8%, e do Tocantins, com 50,7%.
As mulheres também são maioria em todas as faixas etárias de eleitores. A presença feminina é mais significativa na faixa entre 70 e 79 anos, com 54,93% de mulheres votantes, seguida pela faixa de maiores de 79 anos, com 53,46%. A faixa etária com menor presença feminina é de 18 a 20 anos, com 50,2%.


Edição: Aécio Amado

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